Confiança do consumidor sobe em agosto puxada pela força do mercado de trabalho
Confiança do consumidor avançou em agosto, com melhora puxada principalmente pela estabilidade no emprego e pelas expectativas futuras. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Índice da Ipsos avançou 1,3 ponto no mês, enquanto emprego e expectativas futuras sustentaram percepção mais positiva
A confiança do consumidor brasileiro voltou a avançar em agosto, impulsionada principalmente pela percepção de estabilidade no emprego e por expectativas mais positivas para os próximos meses. Segundo o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Ipsos, o indicador subiu 1,3 ponto em relação a julho e chegou a 53,6 pontos.
Na metodologia citada pela empresa, resultados acima de 50 pontos indicam confiança. Com isso, o índice permanece em terreno positivo, situação que só não foi registrada em abril ao longo do período mencionado pela Ipsos.
O movimento ocorre mesmo diante de preocupações com endividamento, recuperações judiciais e um ambiente econômico considerado desafiador.
Emprego sustenta percepção mais positiva
A Ipsos aponta o mercado de trabalho como um dos principais fatores de sustentação da confiança.
O subíndice de Emprego/Estabilidade avançou para 54,6 pontos, enquanto o indicador de Expectativas Futuras chegou a 66,6 pontos.
Em sentido diferente, a avaliação sobre a Situação Atual permaneceu em 44,3 pontos, abaixo da linha dos 50 pontos.
Para Rafael Lindemeyer, líder de Experiência da Ipsos no Brasil, o desempenho está relacionado à força do mercado de trabalho.
“A manutenção do nosso ICC acima dos 50 pontos, atingindo agora 53,4 pontos, reflete uma estabilidade amparada pela força do mercado de trabalho”, afirmou.
A fala reproduzida pela Ipsos menciona 53,4 pontos, enquanto o resultado geral informado no levantamento é de 53,6 pontos.
Segundo Lindemeyer, a taxa de desemprego em patamares baixos e os ganhos reais de renda ajudam a dar maior segurança ao consumidor e sustentam expectativas melhores para o futuro.
Futuro melhora, mas presente ainda inspira cautela
Os dados mostram uma diferença clara entre a visão sobre o futuro e a percepção do momento atual.
Enquanto as expectativas futuras chegaram a 66,6 pontos, a avaliação da situação presente ficou em 44,3.
Na leitura da Ipsos, o consumidor demonstra maior segurança em relação ao emprego, mas continua atento ao ambiente externo e às dificuldades percebidas no País.
A empresa também aponta que criminalidade e corrupção permanecem entre as maiores preocupações dos brasileiros. Segundo os dados citados, 47% mencionam medo da criminalidade e 38% apontam preocupação com corrupção.
“O consumidor ganha fôlego no holerite, mas transita por um ambiente externo que ele percebe como tenso e inseguro”, afirmou Lindemeyer.
Maioria ainda vê País no rumo errado
Apesar da melhora da confiança, a percepção mais ampla sobre o Brasil continua dividida.
Segundo o estudo What Worries the World, citado pela Ipsos, 40% dos brasileiros consideram que o País está no “rumo certo”, alta de um ponto percentual no mês.
Ainda assim, seis em cada dez brasileiros avaliam que o Brasil segue no rumo errado.
Para a Ipsos, o cenário mostra uma confiança apoiada principalmente no emprego e nas expectativas futuras, mas ainda marcada por cautela diante das condições econômicas e sociais do presente.
Pietro Bitencourt – fonte: https://acritica.net/

