Pix impulsiona trabalho por conta própria e pequenos negócios no Brasil, aponta estudo
Estudo aponta que a expansão do Pix está associada ao crescimento do trabalho por conta própria e dos pequenos negócios no Brasil. (Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)
Pesquisa de autores ligados ao Banco Central e à UFRJ identifica relação positiva entre o uso do sistema e o avanço do empreendedorismo
O Pix tem contribuído para a expansão do empreendedorismo no Brasil, especialmente entre trabalhadores por conta própria e pequenos negócios. A conclusão é de um estudo elaborado por pesquisadores ligados ao Banco Central e à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A análise avaliou dados de pagamentos e do mercado de trabalho entre março de 2012 e agosto de 2025 e encontrou uma relação positiva e estatisticamente significativa entre a adoção do Pix e o aumento da participação de trabalhadores por conta própria no País.
O estudo foi conduzido por Claudio de Moraes, professor de macroeconomia e finanças do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead), da UFRJ, que também atua no Banco Central, e por Aristides Andrade Cavalcante Neto, chefe do Departamento de Gestão Estratégica e Supervisão Especializada do BC.
Pix facilita ambiente para pequenos negócios
Para medir o impacto do sistema, os pesquisadores utilizaram como referência a proporção de trabalhadores por conta própria dentro da população economicamente ativa.
A análise também considerou fatores como taxa básica de juros, ciclo econômico e volume total de transações no sistema de pagamentos, além do período de funcionamento do Pix, lançado em 2020.
“Os resultados indicam que o Pix tem efeito positivo e estatisticamente significativo sobre o empreendedorismo. Em todas as especificações, o coeficiente da variável Pix é positivo e altamente significativo”, afirmam os autores.
Segundo eles, os resultados reforçam a hipótese de que uma infraestrutura de pagamentos mais acessível e dinâmica pode criar condições favoráveis para quem trabalha por conta própria ou administra pequenos negócios.
Efeito permanece mesmo com outros fatores econômicos
O impacto positivo identificado no estudo permanece mesmo quando são considerados elementos como política monetária, nível de atividade econômica e funcionamento geral do sistema de pagamentos.
Os pesquisadores destacam que períodos de maior atividade econômica tendem a favorecer o empreendedorismo, enquanto aumentos na taxa básica de juros podem reduzir esse movimento.
Também foi observada uma relação positiva entre o crescimento geral das transações de pagamento e as condições para o desenvolvimento de atividades empreendedoras.
Apesar dos resultados, os autores ressaltam que a análise ainda possui limitações, principalmente porque o Pix está em funcionamento há um período relativamente curto.
Novos estudos poderão avaliar diferenças entre regiões, faixas da população e a relação do Pix com outras inovações do sistema financeiro, como o Open Finance.
O trabalho fará parte da segunda edição do livro Disruptive Technology in Banking and Finance: An International Perspective on FinTech, com publicação prevista para dezembro.
Pietro Bitencourt – fonte: https://acritica.net/
