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Obra de fábrica de celulose da Arauco em Inocência atinge 70% de execução

Por Notícias Digital MS Publicado em 28/08/2026 às 07:08
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Canteiro do Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, onde a obra da fábrica de celulose passou de 70% de execução. (Foto: Divulgação/Arauco)

A construção da fábrica de celulose da Arauco em Inocência, Mato Grosso do Sul, alcançou 70% de execução. O empreendimento, com investimento de US$ 4,6 bilhões, mobilizou cerca de 14 mil trabalhadores e deve iniciar operações no fim de 2027.

A obra da fábrica de celulose da Arauco em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, passou de 70% de execução. Desde a pedra fundamental, em abril de 2025, o canteiro mobilizou cerca de 14 mil trabalhadores, um contingente 67% maior que a população da cidade, estimada em 8,4 mil habitantes.

O investimento é de US$ 4,6 bilhões, cerca de R$ 25 bilhões pelo câmbio adotado pela empresa. A planta ocupa uma área de 3.500 hectares a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência e deve entrar em operação no fim de 2027, com capacidade para 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.

O efeito da obra se espalhou pela cidade. Transporte, alimentação, hospedagem, segurança e fornecimento de materiais passaram a atender uma demanda maior que a do próprio município.

Um milhão de horas dá menos de nove dias por trabalhador

A Arauco divulgou a marca de 1 milhão de horas trabalhadas no canteiro, registrada em foto aérea com funcionários formando a sigla HHT, de homem-hora trabalhada. Dividido pelo efetivo já mobilizado, o número dá 71 horas por trabalhador, menos de nove dias de jornada de oito horas, em uma obra aberta há 16 meses.

Trabalhadores formam a sigla HHT, de homem-hora trabalhada, na marca de 1 milhão de horas registrada pela Arauco no canteiro em Inocência. (Foto: Divulgação/Arauco)

O balão de 300 toneladas já está na caldeira

Um dos marcos da obra foi o transporte do balão da caldeira, fabricado na China, o canteiro. A instalação já ocorreu. A Crítica publicou em 26 de maio que o balão de vapor de 300 toneladas foi içado na caldeira de recuperação, após 45 dias de viagem entre a China e o Brasil e mais 48 dias de deslocamento do Porto de Santos até Inocência. A peça chegou ao canteiro em 7 de março de 2026.

A caldeira vai produzir mais de 2.400 toneladas de vapor por hora. A fábrica terá mais de 400 MW de potência elétrica, e a Arauco informou que metade dessa energia será enviada ao sistema elétrico nacional.

Quase cem vagões de celulose por dia

A logística de escoamento é a parte do projeto que mais avançou fora do canteiro. A Arauco constrói uma ferrovia própria para ligar a fábrica à Malha Norte. O material atual informa 54 quilômetros de extensão. Em 21 de agosto, com dados da própria empresa, A Crítica publicou que o ramal teria cerca de 45 quilômetros e investimento de R$ 1,2 bilhão. A divergência entre os dois números não foi esclarecida pela companhia.

A operação prevista tem 26 locomotivas. Sobre os vagões, o material fala em cerca de mil, sem separar os tipos. Em 19 de agosto, com dados da Arauco, A Crítica publicou que a frota terá 721 vagões de celulose e 350 conjuntos tritrem para transporte de madeira, com entregas escalonadas até novembro de 2027.

Cada vagão leva 98 toneladas de carga líquida. Para escoar 3,5 milhões de toneladas por ano, a fábrica precisará encher cerca de 35,7 mil vagões, quase cem por dia, todos os dias do ano. A celulose deverá percorrer aproximadamente 1.050 quilômetros até o Porto de Santos, onde a Arauco assumiu o controle de um terminal de uso privado na região da Alemoa, com autorização da Antaq em março.

A celulose que já pesa na pauta de MS

A produção de Inocência vai entrar em uma pauta exportadora que a celulose já ocupa em segundo lugar. No primeiro semestre de 2026, o produto respondeu por 25,3% do valor exportado pelo agronegócio sul-mato-grossense, à frente da carne bovina, com 20,6%, e atrás da soja. No mesmo período, a receita da celulose caiu 16,6% enquanto a da carne subiu 47,9%.

Os números do projetoProjeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência

LocalÁrea de 3.500 hectares a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul

InvestimentoUS$ 4,6 bilhões, cerca de R$ 25 bilhões, segundo a empresa

ExecuçãoAcima de 70% da obra, conforme informado pela Arauco. Pedra fundamental em abril de 2025

TrabalhadoresCerca de 14 mil mobilizados desde o início da obra, segundo a empresa. A população de Inocência é estimada em 8,4 mil habitantes

Capacidade3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano

EnergiaMais de 400 MW. A empresa informa que metade será enviada ao sistema elétrico nacional

OperaçãoPrevista para o fim de 2027, de acordo com a Arauco+ Como a celulose vai sair de Inocência

Ferrovia própria ligando a fábrica à Malha Norte. O material atual da empresa informa 54 quilômetros; em agosto, a Arauco divulgou cerca de 45 quilômetros e investimento de R$ 1,2 bilhão no ramal.

Frota informada pela empresa em agosto: 721 vagões de celulose e 350 conjuntos tritrem para madeira, com entregas até novembro de 2027. Cada vagão leva 98 toneladas líquidas.

Operação ferroviária prevista com 26 locomotivas, segundo a Arauco.

Percurso de cerca de 1.050 quilômetros até o Porto de Santos, onde a empresa assumiu o controle de um terminal de uso privado na região da Alemoa, com autorização da Antaq em março de 2026.+ Entenda os termos

HHT: homem-hora trabalhada, a unidade que soma as horas de todos os trabalhadores de uma obra. Foi a sigla formada pelos funcionários na foto divulgada pela Arauco.

Celulose de fibra curta: pasta feita de eucalipto, usada em papel higiênico, papel de imprimir e embalagens leves.

Malha Norte: rede ferroviária que corta o centro do país e chega ao Porto de Santos, operada pela Rumo.

Tritrem: caminhão com três reboques, usado aqui para levar madeira das plantações até a fábrica.

Caldeira de recuperação: equipamento que queima o resíduo da madeira para gerar vapor e eletricidade e recuperar produtos químicos do processo.

Terminal de uso privado: instalação portuária explorada por uma empresa para movimentar carga própria, fora do porto organizado.

Sobre a marca de 1 milhão de horasO material divulgado pela Arauco não informa se o número se refere ao total de horas do empreendimento, a horas sem acidente com afastamento ou a um recorte específico da obra.

Números divulgados pela Arauco em material de assessoria e em comunicados anteriores da empresa. Prazos e valores podem ser alterados pela companhia ao longo da obra.

A conversão de US$ 4,6 bilhões para cerca de R$ 25 bilhões usa o câmbio adotado pela própria empresa e varia conforme o dólar.

Ricardo Eugenio – fonte: https://acritica.net/

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