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Saúde

Câncer de boca: ferida que não fecha é sinal de alerta e tema de palestra em Campo Grande

Por Notícias Digital MS Publicado em 24/08/2026 às 06:32
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Reprodução

O câncer de boca, muitas vezes descoberto em estágios avançados no Brasil, tem na ferida que não cicatriza um sinal simples e ignorado. O tema será abordado em palestra gratuita em Campo Grande.

Uma ferida na boca que não fecha em duas semanas é o sinal mais simples e mais ignorado de um câncer que, no Brasil, quase sempre chega tarde ao consultório.

Pelos dados do Instituto Nacional de Câncer, 76,3% dos casos de câncer de boca no país são descobertos já nos estágios III ou IV, os mais avançados. Quando encontrado no primeiro estágio, a chance de cura passa de 80%.

É esse o tema da palestra que abre, nesta segunda-feira (24), em Campo Grande, o primeiro ciclo promovido pelo Sindicato dos Odontologistas de Mato Grosso do Sul. A entrada é gratuita e não é preciso se inscrever.

Um câncer de homem, tabaco e álcool

A cavidade oral é o quinto câncer mais incidente entre os homens brasileiros, com 4,8% dos casos masculinos, na estimativa do INCA para o triênio de 2026 a 2028. Eles respondem por 73,6% das ocorrências.

Tabaco e álcool aparecem em cerca de 90% dos casos, e não apenas somam risco: combinados, multiplicam. O HPV entrou na conta mais recentemente, com peso crescente entre pessoas mais jovens e sem histórico de cigarro.

O Brasil tem a maior taxa de incidência de câncer de boca da América do Sul, com 3,6 casos por 100 mil habitantes, e a segunda maior mortalidade, 1,5 morte por 100 mil.

A explicação para o diagnóstico tardio combina duas coisas conhecidas: homem vai menos ao dentista e ao médico, e a lesão inicial não dói.

Quem vai falar

A palestra sobre diagnóstico e prevenção fica com Gleyson Amaral, graduado em Odontologia pela UFPE, mestre e doutor em Patologia Oral pela Unicamp, professor de Patologia Oral da UFMS e corresponsável pelo laboratório da área na universidade.

O piso que saiu do papel depois de 65 anos

A segunda palestra trata do piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas, e fica com o senador Nelsinho Trad, que é médico. Ele está na disputa deste ano como suplente na chapa de Reinaldo Azambuja ao Senado.

O projeto tem endereço e fase definidos. É o PL 1.365/2022, de autoria da senadora Daniella Ribeiro, relatado por Fernando Dueire. O Senado aprovou o texto em 10 de junho deste ano, fixando piso de R$ 13.662 para jornada de 20 horas semanais, e a proposta seguiu para a Câmara dos Deputados.

A lei que está sendo atualizada é de 1961. A Lei 3.999 fixava o piso da categoria em três salários mínimos, referência que ficou 65 anos sem revisão.

O ciclo é uma realização do Sioms em parceria com a Federação Nacional de Odontologistas, o SinMed MS, a FMB, o CRO-MS e a ABO.

ServiçoComo ir, e os sinais que você não deve ignorar

Quando
Segunda-feira (24), a partir das 18h30Onde
Auditório da ABO, na Rua da Liberdade, 836, em Campo GrandeQuanto custa
Gratuito, e não é preciso se inscrever. Basta comparecerQuem organiza
Sioms, o Sindicato dos Odontologistas de MS, em parceria com FNO, SinMed MS, FMB, CRO-MS e ABOO sinal mais importante
Ferida na boca que não cicatriza em cerca de 15 dias precisa ser avaliada por dentista ou médicoOnde se examinar de graça
Na unidade básica de saúde mais próxima. O exame da boca faz parte do atendimento odontológico do SUS

Os sinais de alerta do câncer de bocaFerida que não cicatriza. É o sinal clássico. Qualquer lesão na boca, na língua, na gengiva ou no lábio que passe de duas semanas sem fechar precisa ser vista por um profissional.

Manchas brancas ou avermelhadas que não saem e não doem, principalmente na língua e no assoalho da boca.

Caroço ou endurecimento na boca, no lábio ou no pescoço.

Dificuldade para mastigar, engolir ou falar, ou sensação de algo preso na garganta que não passa.

Dentadura que passou a machucar sem motivo aparente, ou dente que ficou mole sem doença de gengiva que explique.

Sangramento sem causa e dormência em alguma parte da boca.

Nenhum desses sinais significa, sozinho, que a pessoa tem câncer. Todos significam que alguém precisa olhar.O que aumenta e o que reduz o riscoTabaco e álcool. Estão presentes em cerca de 90% dos casos, e juntos multiplicam o risco em vez de apenas somá-lo. Vale para cigarro, charuto, cachimbo e também para o fumo mascado.

HPV. O papilomavírus humano tem peso crescente, sobretudo em casos de pessoas mais jovens e sem histórico de tabagismo. A vacina contra o HPV é oferecida de graça pelo SUS.

Sol, no caso do lábio. Quem trabalha exposto, como no campo e na construção, tem risco maior de câncer de lábio. Protetor labial com filtro solar, boné de aba larga e chapéu reduzem essa exposição.

Higiene bucal e prótese malajustada. Irritação crônica da mucosa é fator de risco, e é o tipo de coisa que uma consulta resolve.

Consulta odontológica de rotina. É o que permite achar a lesão pequena. O dentista examina a boca inteira, não só os dentes.Entenda os termosCavidade oral: lábios, língua, gengiva, bochecha por dentro, céu da boca e o assoalho, que é a região embaixo da língua.

Estadiamento: a classificação do quanto o tumor avançou, dos estágios I ao IV. É o que define o tratamento e as chances de cura.

Patologia oral: a especialidade que estuda e diagnostica as doenças da boca, geralmente pela análise de um pedaço de tecido em laboratório.

Biópsia: a retirada de um pequeno fragmento da lesão para exame. É o que fecha o diagnóstico.

Piso salarial: o valor mínimo que a lei fixa para a remuneração de uma categoria, com uma jornada definida. Não é o salário que todos recebem, é o mínimo abaixo do qual não se pode pagar.

Dados epidemiológicos do Instituto Nacional de Câncer. Estas informações são explicativas e não substituem consulta, exame clínico ou diagnóstico profissional. Diante de qualquer sinal, procure um dentista ou médico.

Rick Eugenio – fonte: https://acritica.net/

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