📅 Campo Grande, MS — quarta-feira, 15 de julho de 2026
Politica

Institutos criticam selo do TSE baseado em proximidade com resultado das urnas

Por Notícias Digital MS Publicado em 15/07/2026 às 06:37
⏱ Leitura: aproximadamente 4 minutos

Proposta apresentada por Kassio Nunes Marques prevê um selo para pesquisas mais próximas dos resultados das urnas. ( Foto: SEAUD/PR)

Empresas afirmam que pesquisas registram a intenção de voto em determinado momento e não devem ser tratadas como previsões eleitorais

A proposta do Tribunal Superior Eleitoral de criar um selo para destacar institutos cujas pesquisas mais se aproximarem do resultado das urnas provocou críticas de empresas do setor. Para representantes das instituições, o modelo apresentado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, utiliza um critério inadequado para avaliar a qualidade dos levantamentos.

A minuta prevê a criação do chamado “Selo Acurácia Eleitoral”, que seria concedido após o segundo turno das eleições gerais. A avaliação abrangeria pesquisas para presidente e governador realizadas nos sete dias anteriores à votação, além dos levantamentos de boca de urna.

Somente pesquisas registradas no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais e divulgadas ao público seriam consideradas. Entre os objetivos descritos no texto estão incentivar o aprimoramento metodológico e dar visibilidade às empresas com resultados mais próximos da votação oficial.

Associação diz que pesquisa não é previsão

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa afirmou que os levantamentos mostram a intenção de voto no momento das entrevistas e não antecipam obrigatoriamente o resultado eleitoral.

“Pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas. Não são previsões nem promessas de resultado”, declarou a entidade.

Segundo a associação, eleitores podem mudar de opinião, decidir não votar ou alterar o comportamento entre a realização da pesquisa e o dia da eleição. Por isso, cobrar que um levantamento “acerte” o resultado seria, nas palavras da entidade, “confundir ciência com bola de cristal”.

A Abep também argumentou que a qualidade de uma pesquisa deve ser examinada a partir da metodologia, da amostra, da transparência, da execução das entrevistas e do cumprimento das práticas científicas.

Empresas temem efeito sobre pesquisas finais

O fundador do instituto Ideia, Maurício Moura, avaliou que o selo pode desestimular a divulgação de pesquisas na última semana da campanha. Segundo ele, levantamentos feitos em dias diferentes não podem ser comparados sem considerar mudanças na preferência dos eleitores e a margem de erro.

“Pesquisa não é um modelo preditivo, é um retrato do momento. Não dá para comparar um levantamento feito cinco dias antes da eleição com outro realizado na véspera”, afirmou.

A diretora do Datafolha, Luciana Chong, também criticou a ideia de estabelecer um ranking com base apenas na proximidade entre as pesquisas e o resultado final.

“Pesquisas são estimativas estatísticas, sujeitas a margem de erro, diferentes metodologias, momentos distintos de coleta e mudanças no comportamento do eleitorado”, declarou.

AtlasIntel manifesta apoio à iniciativa

A AtlasIntel adotou posição diferente. O presidente da empresa, Andrei Roman, declarou apoio à proposta e afirmou que o instituto está disponível para colaborar na definição dos critérios metodológicos.

A apresentação da minuta ocorreu durante reunião de Nunes Marques com representantes de diferentes empresas de pesquisa nesta terça-feira (14). O encontro foi convocado depois que o ministro suspendeu a divulgação de um levantamento da AtlasIntel.

A proposta ainda está em fase de discussão e não há definição sobre sua adoção. As manifestações apresentadas pelos institutos deverão ser analisadas pelo presidente do TSE antes de uma eventual publicação da portaria.

Douglas Vieira

Fonte: https://acritica.net/

Leia Também