Escolha de Kassab para vice de Caiado mira palanques do PSD e amplia articulação política
Caiado anunciou Kassab como vice em movimento que busca dar sustentação política e partidária à chapa. (Foto: Rafael Rodrigues)
Indicação do presidente do partido é vista nos bastidores como estratégia para organizar apoios estaduais e dar lastro à chapa presidencial
A escolha de Gilberto Kassab para compor a chapa presidencial de Ronaldo Caiado foi tratada, dentro do PSD, menos como um movimento de apelo eleitoral direto e mais como uma decisão voltada à engenharia política da campanha. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (1º), em Brasília, e ainda dependerá de confirmação na convenção partidária.
Nos bastidores da legenda, a avaliação é de que Kassab entra na composição para ajudar a organizar os palanques estaduais, dar sustentação partidária à pré-candidatura de Caiado e ampliar a capacidade de negociação da chapa em diferentes regiões do país. Por ocupar a presidência nacional do PSD, ele é visto como um nome capaz de atuar mais na costura política do que na transferência de votos.
A leitura de aliados é que a missão principal de Kassab será reduzir ruídos internos em estados onde o partido mantém alianças distintas da candidatura presidencial. O desafio é maior em regiões como o Nordeste, onde parte do PSD já sinaliza apoio ao presidente Lula e trabalha com arranjos locais próprios. Nesse cenário, a presença de Kassab na chapa é interpretada como um instrumento para pressionar correligionários a reavaliar a distância em relação ao palanque de Caiado. Isso porque, ao deixar de apoiar a candidatura presidencial, líderes estaduais também passariam a se afastar do presidente da própria sigla.
Outro aspecto considerado relevante é que a indicação não fecha completamente a porta para uma futura composição com outro partido. Como Kassab é o dirigente nacional do PSD, interlocutores do partido avaliam que sua presença na vice não seria, por si só, um obstáculo para eventual negociação política até o prazo de registro das candidaturas. A escolha, nesse sentido, também funcionaria como forma de manter a chapa montada sem eliminar margem de manobra para mudanças adiante.
A indicação também é lida como um gesto para demonstrar que a candidatura de Caiado seguirá em frente com respaldo formal do partido. Ao anunciar Kassab, o entorno do ex-governador busca transmitir a ideia de que o PSD está comprometido com a construção de um projeto próprio para a disputa presidencial, ainda que preserve autonomia regional em alguns estados.
Em declarações públicas nesta quarta-feira, Kassab negou haver crise na campanha por causa da ausência de palanques de governadores do PSD e disse que o partido respeitará as circunstâncias locais. A fala reforça a linha adotada pela direção partidária de tentar equilibrar o projeto nacional de Caiado com os interesses regionais da legenda.
Há ainda uma avaliação, compartilhada em parte do partido, de que Kassab poderá contribuir na interlocução com setores do empresariado e ajudar a ampliar a arrecadação da campanha. O dirigente é visto como um articulador político com trânsito em diferentes áreas, característica que pesa na tentativa de dar musculatura à pré-candidatura de Caiado num cenário ainda indefinido da corrida presidencial. Essa percepção já aparecia entre aliados antes mesmo da confirmação do nome para a vice.
Assim, a indicação de Kassab é tratada menos como aposta de impacto popular imediato e mais como uma operação para fortalecer a estrutura política da chapa, organizar o PSD nos estados e manter aberta a capacidade de negociação da campanha nos próximos movimentos do calendário eleitoral.
Fonte: https://acritica.net/

