Lula e Flávio ajustam estratégia eleitoral sob impacto do caso Master
Lula e Flávio Bolsonaro chegam à fase pré-convenções com impasses políticos e pressão do caso Master. (Fotos: Agência Brasil)
A um mês das convenções, pré-campanhas tentam destravar palanques, comunicação e vice em meio à crise que atinge os dois campos
A um mês do início das convenções partidárias, as pré-campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro entraram em uma fase decisiva, com pendências sobre comunicação, palanques estaduais, estrutura jurídica e definição de alianças, enquanto o caso Banco Master amplia a pressão sobre os dois lados da disputa presidencial.
Do lado de Lula, o foco está em ajustar a comunicação digital, organizar a defesa das entregas do governo e resolver impasses em Estados estratégicos, como São Paulo e Minas Gerais. O PT também passou a lidar com o efeito político da operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, na nova fase da Operação Compliance Zero, o que levou o caso Master para mais perto do entorno do presidente.
No campo de Flávio Bolsonaro, o desafio é reduzir o desgaste provocado pela ligação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, além de escolher um nome para a vice, recompor palanques regionais e antecipar propostas nas áreas econômica e de segurança pública. A avaliação entre aliados é de que esse movimento pode ajudar a tirar o foco do noticiário negativo.
Na comunicação petista, a estratégia passa pelo uso de canais próprios para alcançar militância, apoiadores e eleitores nas redes sociais. Entre as iniciativas citadas estão o Pode Espalhar e o Porta-Vozes do Lula. Mesmo assim, ainda há debate interno sobre o tom da campanha, entre destacar ações do governo ou adotar uma linha mais direta de enfrentamento ao bolsonarismo.
Entre aliados de Lula, a avaliação é de que a operação contra Jaques Wagner deu argumento ao campo adversário e dificultou a tentativa de restringir o caso Master ao entorno de Flávio. Ainda assim, a leitura no PT é de que a disputa seguirá concentrada entre Lula e o senador do PL, e que a relação de Flávio com Vorcaro continuará sendo explorada politicamente.
Na pré-campanha bolsonarista, Flávio confirmou a participação da economista Daniella Marques na formulação de propostas econômicas e apresentou o plano “Brasil sem Medo”, voltado à segurança pública. A expectativa é de que novos pontos do programa sejam divulgados antes das convenções.
Outra frente em aberto é a escolha da vice. Flávio afirmou recentemente que sua companheira de chapa será, “preferencialmente”, uma mulher. Nos bastidores, circulam nomes como Júlia Zanatta, Clarissa Tércio e Tereza Cristina, mas a definição ainda não foi fechada.
Nos Estados, os dois grupos ainda enfrentam impasses. Em São Paulo, Lula tenta acomodar aliados em torno da chapa de Fernando Haddad ao governo, num arranjo que envolve a vice e as vagas ao Senado. No Rio de Janeiro, principal base política da família Bolsonaro, Flávio busca reorganizar o palanque em meio à indefinição sobre o governo estadual e à disputa pela composição da chapa ao Senado.
Minas Gerais segue como ponto de incerteza para os dois campos. No grupo de Lula, a recusa de Rodrigo Pacheco em disputar o governo abriu espaço para novas negociações. Do lado de Flávio, Cleitinho é tratado como nome mais provável, embora ainda resista a confirmar a candidatura.
A fase pré-convenções também envolve a montagem das estruturas jurídicas. No PT, a coordenação deve ficar com Ângelo Ferraro, com Pierpaolo Bottini consultado para um núcleo voltado a temas penais. Na campanha de Flávio, a estratégia jurídica será comandada pela ex-ministra do TSE Maria Claudia Bucchianeri.
Fonte: https://acritica.net/

