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Educação

Enem 2026 exige atenção ao uso de citações, política e religião na redação

Por Notícias Digital MS • Publicado em 29/09/2026 às 06:13
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Candidatos ao Enem 2026 devem observar a relação entre o repertório utilizado e o tema proposto na redação – (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Cartilha do Inep reforça que referências precisam ter relação direta com o tema; provas serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro

A pouco mais de um mês do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, candidatos que se preparam para a redação precisam ir além da memorização de frases, autores e referências consideradas “coringas”. A orientação é que qualquer repertório utilizado no texto tenha relação clara com o tema proposto e contribua efetivamente para a argumentação.

As provas serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro. No primeiro domingo, os participantes farão as avaliações de Linguagens, Ciências Humanas e Redação. No segundo, serão aplicadas as provas de Ciências da Natureza e Matemática.

Uma das principais referências para a preparação é a Cartilha da Redação do Enem 2026, divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Embora mantenha estrutura semelhante à edição anterior, o documento apresenta exemplos mais específicos sobre práticas adequadas e inadequadas na construção do texto.

Segundo Milena Fiuza, diretora pedagógica do Sistema Positivo, o principal avanço está justamente na forma como esses exemplos são apresentados.

“A cartilha é rigorosamente igual à do ano passado, em conteúdo e estrutura. O que melhorou foram os exemplos. Ela traz exemplos do que fazer e do que não fazer, textos reais, palavras e frases que podem ser usadas ou evitadas, e mostra, principalmente, exemplos que ajudam a entender as cinco competências”, afirma.

Citações prontas exigem cuidado

A redação do Enem vale até mil pontos e é corrigida com base em cinco competências. Entre os aspectos avaliados estão o domínio da norma-padrão da língua portuguesa, a compreensão da proposta, a capacidade de argumentação, o uso de repertório sociocultural e a elaboração de uma proposta de intervenção.

Nesse cenário, o chamado “repertório de bolso” merece atenção.

Referências a filósofos, sociólogos, leis, acontecimentos históricos, filmes, músicas e outras manifestações culturais podem ser utilizadas normalmente. O problema aparece quando o candidato tenta encaixar uma citação previamente decorada sem que ela tenha ligação real com o tema.

“Não é para ter medo de citar essas coisas, fazer referências, não precisa ter medo disso. A grande questão é forçar. É não ter a ver com o tema, não ter a ver com o contexto e querer usar de qualquer jeito”, explica Milena.

A recomendação também vale para frases de efeito usadas apenas para preencher a introdução ou transmitir a impressão de conhecimento. Para ter valor na redação, a referência deve colaborar com o raciocínio desenvolvido pelo participante.

“É só trazer algo que tenha a ver com o tema. Pela cartilha, a banca vai estar muito mais atenta, vai ser muito mais rigorosa na correção e, inclusive, até mais intolerante para essas frases prontas”, acrescenta.

Política e religião podem aparecer na redação

Outro receio comum entre estudantes envolve o uso de temas ligados à política e à religião. Esses assuntos não são automaticamente proibidos na redação do Enem.

O cuidado necessário está na forma como são utilizados.

Como a prova pode abordar questões sociais, científicas, culturais e políticas, esses elementos podem fazer parte da argumentação quando estiverem relacionados ao assunto apresentado e forem tratados de maneira respeitosa.

Silvia Maria Brandão, especialista em Soluções Educacionais na Arco Educação e doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Unesp, destaca que o problema ocorre quando o candidato abandona o tema proposto para desenvolver apenas suas próprias opiniões sobre determinado assunto.

“O candidato pode abordar qualquer aspecto que julgar necessário, mas que tenha articulação com o tema, ou pelo menos com o assunto. Se ele fala só de política, só de religião, e o tema não toca em nenhum desses aspectos, ele vai zerar a redação por fugir do tema”, explica.

Ofensas, palavrões, xingamentos ou incitação à violência também podem provocar a anulação da redação, independentemente do assunto abordado.

“O cuidado é realmente discutir esses aspectos, mas de uma forma obviamente respeitosa, respeitando a diversidade e aspectos da vida humana mesmo, de forma geral”, acrescenta Silvia.

Fuga ao tema pode zerar a prova

A interpretação da proposta é outro ponto decisivo. Antes de começar a escrever, o participante precisa identificar exatamente o recorte solicitado pela prova.

Uma estratégia é dividir mentalmente o tema em partes e verificar quais elementos precisam aparecer obrigatoriamente na argumentação.

A cartilha do Inep inclui a fuga ao tema entre as situações que podem levar à nota zero. Também entram nessa lista textos com até sete linhas, trechos deliberadamente desconectados da proposta, desobediência à estrutura dissertativo-argumentativa e desrespeito à seriedade do exame.

Para Milena, o planejamento deve começar antes da primeira linha.

“Quando eu estou nervoso na prova, tenho que parar, pensar, respirar e fazer uma repartição: o que eu sei mais do que tem aqui, o que eu não sei tanto e onde eu posso me dedicar mais. Não é porque eu não sei tudo com profundidade que eu vou ignorar o que está ali no tema. Eu tenho que cuidar para fazer essa conexão com um sentido.”

Cartilha pode orientar a reta final

A forma de utilizar a cartilha também depende do nível de preparação de cada estudante.

Quem ainda não domina a estrutura da redação deve priorizar o entendimento das cinco competências utilizadas na correção. Já candidatos que conhecem bem o modelo podem concentrar a atenção nas redações comentadas e nos exemplos apresentados pelo Inep.

“Se o estudante não conhece nada, é muito importante que ele veja a parte dos critérios, que ele entenda como funciona a coesão e o que é a C1, a C2, a C3, a C4, e C5. Se é um estudante que já fez o Enem e já sabe do que se tratam as cinco competências, prioriza a parte da análise das redações. Ali há exemplos de boas redações, do ponto de vista de estrutura, do ponto de vista de repertório”, explica Silvia.

Além da versão geral, o Inep disponibilizou materiais voltados a participantes com dislexia, Transtorno do Espectro Autista (TEA), surdos e pessoas com deficiência auditiva.

Os documentos apresentam orientações específicas sobre o processo de correção, considerando características relacionadas a essas condições. Os profissionais responsáveis pela avaliação recebem treinamento específico.

Estratégia também vale para as questões objetivas

O planejamento não deve ficar restrito à redação. Nas questões objetivas, o candidato também precisa administrar o tempo considerando a Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia utilizada pelo Inep para calcular as proficiências.

O sistema não considera somente a quantidade total de acertos. O padrão de respostas e as características das questões também entram no cálculo. Por isso, dois participantes com o mesmo número de respostas corretas podem terminar com notas diferentes.

“Eu preciso conhecer um pouco da estrutura, especialmente porque eu preciso ficar me dedicando tanto aqui nessas questões que eu não sei? Não adianta eu acertar lá uma super difícil e errar um monte de fácil”, afirma Milena.

A orientação não significa que exista uma fórmula para contornar a TRI. O objetivo é evitar que questões muito difíceis consumam um tempo que poderia ser utilizado na resolução de outros itens.

Na reta final, portanto, conhecer o funcionamento do exame, entender os critérios da redação e abandonar a tentativa de encaixar referências prontas a qualquer custo podem ser tão importantes quanto revisar conteúdos.

Felipe Kahlil – fonte: https://acritica.net/

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