USP cai no ranking global e Brasil segue sem universidade entre as 100 melhores
USP segue como a universidade brasileira mais bem colocada, mas caiu no ranking global da QS. (Foto: Tiago Queiroz)
Levantamento da QS mostra queda de instituições brasileiras e reforça dificuldade do país em acompanhar a competição internacional no ensino superior
As universidades brasileiras perderam espaço no QS World University Ranking 2027, e o país continuou fora do grupo das 100 melhores instituições de ensino superior do mundo. Nenhuma universidade nacional subiu na classificação divulgada neste ano. Ao todo, 14 caíram de posição e oito ficaram estáveis.
A instituição brasileira mais bem colocada segue sendo a Universidade de São Paulo, mas a USP recuou 25 posições e apareceu agora em 133º lugar. O resultado amplia uma sequência de queda depois de a universidade ter alcançado, em 2024, a melhor colocação já obtida pelo Brasil, quando ficou na 85ª posição.
O desempenho geral das universidades do país indica perda de fôlego em um cenário internacional cada vez mais competitivo. Segundo os dados do ranking, o Brasil registrou uma das maiores taxas de queda entre os sistemas de ensino superior com dez ou mais instituições avaliadas.
A leitura do levantamento não aponta necessariamente piora na qualidade das universidades brasileiras, mas mostra que outros países têm avançado mais rapidamente. A avaliação considera nove indicadores, distribuídos em áreas como reputação acadêmica, pesquisa, empregabilidade, internacionalização, experiência de aprendizado e sustentabilidade.
Entre os pontos fortes das instituições brasileiras, a reputação acadêmica continua sendo o destaque. USP e Unicamp seguem entre as 100 melhores do mundo nesse indicador. Já a internacionalização aparece como uma das principais fragilidades, com baixo número de estudantes estrangeiros, poucos docentes internacionais e limitações na inserção global das universidades do país.
O ranking também mostra que houve queda em indicadores ligados à rede internacional de pesquisa e à reputação entre empregadores. Em contrapartida, algumas universidades brasileiras ainda mantêm desempenho relevante em empregabilidade, o que sugere boa formação de profissionais para o mercado de trabalho.
Outro fator citado no debate sobre o resultado é o efeito acumulado das restrições orçamentárias enfrentadas pelo ensino superior nos últimos anos. Como parte dos critérios do ranking se baseia em dados de pesquisa e impacto acadêmico que levam tempo para maturar, cortes de financiamento e dificuldades estruturais podem aparecer com mais força agora nos resultados.
O cenário brasileiro acompanha uma tendência observada em parte da América Latina, onde mais universidades caíram do que subiram. Ao mesmo tempo, países da Ásia e do Oriente Médio vêm ampliando investimentos e acelerando políticas para atrair estudantes, professores e parcerias internacionais, o que aumenta a pressão sobre instituições de regiões que avançam em ritmo mais lento.
No topo da classificação global, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, manteve o primeiro lugar. O Imperial College London e a Universidade de Stanford aparecem logo atrás.
Fonte: https://acritica.net/

