Setor produtivo reage ao fim da taxa das blusinhas e cobra corte de impostos no Brasil
Entidades da indústria e frentes parlamentares criticam decisão do governo Lula e dizem que medida amplia concorrência desigual com importados

Associações empresariais e frentes parlamentares ligadas à indústria e ao comércio criticaram a decisão do governo Lula de acabar com a chamada taxa das blusinhas, cobrada sobre mercadorias importadas de até US$ 50. A avaliação desses grupos é que a medida favorece plataformas estrangeiras e amplia a pressão sobre empresas brasileiras, especialmente em um cenário de carga tributária elevada e disputa acirrada no varejo.
A cobrança havia sido aprovada pelo Congresso em 2024, após pressão de representantes da indústria e do comércio nacional. Agora, a leitura no meio político é que a mudança anunciada pelo governo dificilmente será revertida, principalmente por causa do apelo popular da redução do imposto em ano eleitoral.
O presidente da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços, deputado Domingos Sávio (PL-MG), afirmou que o governo colocou o setor em uma situação delicada. “O governo nos coloca numa posição que é o seguinte: nós vamos ser contra baixar imposto? Não, não vamos ser contra, mas gostaríamos de baixar o imposto da indústria brasileira, das lojas que vendem no Brasil e de quem emprega no Brasil”, disse.
Entre as críticas, o argumento central é o de que o fim do tributo aumenta a concorrência desleal entre produtos importados e mercadorias vendidas no mercado interno. Mais cedo, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o contrabando foi eliminado com a taxação, o que teria aberto espaço para a zeragem da cobrança.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção classificou a decisão como equivocada e afirmou que ela penaliza quem produz e emprega no País. Segundo a entidade, as encomendas internacionais geraram R$ 1,78 bilhão em arrecadação federal apenas nos quatro primeiros meses de 2026, valor que, na visão da associação, indicava um caminho de maior equilíbrio competitivo no comércio eletrônico internacional.
A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria também se posicionou contra a medida provisória assinada por Lula. Para o grupo, a decisão enfraquece a indústria nacional e amplia a concorrência desigual.
O debate expõe mais uma vez o conflito entre o alívio tributário prometido ao consumidor e a cobrança do setor produtivo por isonomia nas regras de competição.
Fonte: https://acritica.net/

