Perda da sensação de sede exige atenção diária em pessoas idosas
(Foto: Kampus Production/Pexels)
Alterações hormonais e perda de sensibilidade aos receptores aumentam os riscos de complicações
Beber água é essencial para todas as pessoas. No entanto, a hidratação em idosos exige mais atenção. Com o envelhecimento, a percepção de sede pode diminuir, fazendo com que a pessoa passe longos períodos sem ingerir líquidos sem necessariamente perceber que precisa se hidratar.
A médica e professora de Geriatria Dra. Karoline Fiorotti explica a perda da sensibilidade dos receptores no organismo. O processo natural provoca mudanças na capacidade do corpo de manter o equilíbrio hídrico. “Com o envelhecimento, diminui a sensação de sede e também a capacidade do organismo de lidar com o equilíbrio de água. Isso ocorre tanto por mudanças hormonais próprias do envelhecimento quanto pelo uso de algumas medicações”, detalha.
A sede não serve como parâmetro único para a medição do nível de hidratação. O sintoma surge frequentemente quando a desidratação já está instalada no corpo. O Ministério da Saúde recomenda a oferta regular de líquidos em pequenas quantidades ao longo do dia.
O risco de desidratação cresce com o uso contínuo de medicamentos diuréticos e problemas de locomoção. A dificuldade de acesso ao banheiro leva o idoso à restrição voluntária de líquidos. Alterações de memória e a dependência de cuidadores agravam o quadro de vulnerabilidade. “Idosos sentem menos sede, têm uma capacidade menor para concentrar a urina e, por isso, urinam mais vezes ao longo do dia. Além disso, muitos utilizam medicações que aumentam a diurese, como os diuréticos, e podem ter mais dificuldade para se deslocar até o banheiro por conta de doenças osteomusculares.”
Os sintomas da desidratação aparecem de forma vaga ou sutil na rotina. Tontura, fraqueza, confusão mental, menor volume de urina e constipação indicam a perda de líquidos no corpo. A queixa de boca seca é comum entre idosos e não serve como indicador isolado devido aos efeitos colaterais de remédios. “Sinais vitais podem não revelar a gravidade do quadro, e a queixa de secura na boca não ajuda como parâmetro, pois é uma reclamação comum em idosos, muitas vezes associada a efeitos colaterais de medicações”, pontua a médica.
O acompanhamento exige atenção dobrada diante de episódios de febre, vômitos e diarreia. As doenças diarreicas aceleram a perda hídrica e provocam complicações graves no organismo. A avaliação médica individualizada define a meta diária de ingestão de líquidos para pacientes com restrições de saúde.
Estratégias para incentivar o idoso a beber água- Famílias e cuidadores exercem papel central na prevenção contra a desidratação. As ações preventivas dispensam a necessidade de o idoso solicitar água. A especialista sintetizou nove orientações para o cotidiano:
– Água visível: Mantenha garrafas e copos em locais de fácil acesso e visualização.
– Criação de rotina: Ofereça líquidos de forma regular nos intervalos das refeições.
– Oferta ativa: Lembre a pessoa idosa de beber água sem esperar pela queixa de sede.
– Acesso facilitado: Posicione os recipientes ao alcance seguro de pessoas com limitação motora.
– Variedade de opções: Inclua água de coco, sucos, chás e águas saborizadas quando não houver restrições médicas.
– Alimentos ricos em água: Sirva frutas com alto teor hídrico como melancia e melão.
– Monitoramento do volume: Utilize recipientes graduados ou aplicativos para acompanhar a quantidade ingerida.
– Adaptação do banheiro: Reduza obstáculos no trajeto até o sanitário para evitar a recusa do consumo de água.
– Organização dos horários: Distribua a oferta de líquidos durante o dia e diminua os volumes à noite para preservar o sono.
A água continua como a principal fonte de hidratação para o organismo. As alternativas complementares auxiliam na aceitação do consumo pela pessoa idosa. O planejamento do consumo adapta a rotina às orientações da equipe de saúde.
Redação – fonte: https://www.diariodigital.com.br/

