ONU e Unicef lançam guia para alertar famílias sobre riscos da machosfera
Guia da ONU Mulheres e do Unicef orienta famílias sobre os riscos da machosfera e defende diálogo com meninos e adolescentes. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Material orienta pais e responsáveis a identificar sinais de exposição de meninos e jovens a conteúdos misóginos e defende diálogo dentro de casa
A ONU Mulheres e o Unicef lançaram um guia para orientar pais e responsáveis sobre os riscos da exposição de meninos e adolescentes à chamada machosfera, grupo de espaços nas redes sociais que difundem discursos de masculinidade associados à misoginia, ao desprezo e à hostilidade contra mulheres e meninas.
Batizado de No Mesmo Time: Guia de Conversa para Pais e Responsáveis, o material explica como esse tipo de conteúdo circula nas plataformas, quais impactos pode provocar na formação dos jovens e de que forma as famílias podem enfrentar o tema por meio do diálogo dentro de casa.
Segundo as organizações, a preocupação está no modo como esse conteúdo chega ao público mais novo. Um levantamento da Revista AzMina e do Núcleo Jornalismo, citado pelas Nações Unidas, aponta que a misoginia costuma alcançar adolescentes de forma gradual e disfarçada, muitas vezes por meio de vídeos e postagens com aparência de conteúdo motivacional ou de autoajuda.
Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, o problema ultrapassa o ambiente digital e tem efeitos concretos sobre a vida de mulheres e meninas. “A machosfera é um desafio de toda a sociedade, com consequências reais para a segurança e a liberdade de mulheres e meninas. Este guia nasce para dizer aos pais e responsáveis que eles não estão sozinhos e que não precisam ter todas as respostas. Quando os adultos abrem espaço para conversas francas e sem julgamento, mostram aos meninos que respeito e igualdade também são coisa de time. É assim, dentro de casa, que começa a prevenção da violência”, afirma.
O guia reúne explicações sobre os principais grupos e termos ligados à machosfera, mostra como os algoritmos ajudam a empurrar esse tipo de conteúdo para os jovens e apresenta sinais de alerta relacionados a mudanças de comportamento e de linguagem.
O material também traz sugestões práticas para ajudar pais e responsáveis a conversar com crianças e adolescentes, com perguntas voltadas ao desenvolvimento do pensamento crítico sobre mídia, adaptadas para cada faixa etária. Há ainda orientações específicas para apoiar meninas expostas a conteúdos misóginos e caminhos para incluir o debate sobre igualdade de gênero na rotina das famílias.
Representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman destacou a importância de oferecer referências positivas de masculinidade durante a adolescência, fase em que muitos jovens estão formando a própria identidade. Segundo ele, famílias, escolas e comunidades têm papel central para evitar a exposição a conteúdos marcados por estereótipos e intolerância de gênero.
Fonte: https://acritica.net/
