Quando a bandeirinha vira negócio, julho também vira mês de faturar
As comidas tradicionais também são parte essencial da festividade julina. Crédito (Foto: Arquivo Deliciê Bolos e Doces)
Em MS, pequenos negócios têm aproveitado esse tempo de tradição popular para fazer o que o comércio conhece bem: transformar costume em oportunidade.
Mesmo depois de junho, a sanfona não silencia. Em julho, a festa continua, com bandeirolas, xadrez, laços, doces, bolos e um tipo de animação que não cabe só no arraial. Em Mato Grosso do Sul, pequenos negócios têm aproveitado esse tempo de tradição popular para fazer o que o comércio conhece bem: transformar costume em oportunidade.
As Festas Juninas, que atravessam o calendário e ganham fôlego nas chamadas Festas Julinas, seguem movimentando a cultura e também a economia. Entre vestidos rodados, chapéus de palha, canjica, milho cozido e maçã do amor, há empreendedores que encontram nesse período uma chance de vender mais, testar ideias e fortalecer a ligação com o público.
Em Campo Grande, esse interesse aparece com força. Segundo a pesquisa Cultura nas Capitais, realizada pela JLeiva Cultura & Esporte, as Festas Juninas atraem na capital um público duas vezes maior do que o Carnaval. Para a analista-técnica do Sebrae/MS, Lucielle Lima, esse movimento ajuda a explicar por que tantos pequenos negócios olham para a temporada como um momento estratégico para crescer.

No bairro Universitário, em Campo Grande, o Aide Atelier sente isso no ritmo das máquinas de costura. É ali que babados, retalhos e estampas florais viram vestidos, laços, camisas e calças feitos sob medida para a época das festas. O trabalho é artesanal, e por isso exige preparo antes da correria começar.
A costureira e proprietária Adeilze Fernandes de Amorim conta que a produção voltada para datas sazonais ajuda a atrair clientes e a manter o negócio em evidência. “Acredito que atender as festividades sazonais estabelece um maior contato com os clientes, além de ser um chamariz para a empresa. Aqui a nossa produção é artesanal e por isso nos preparamos para esse período desde abril, comprando e encomendando tecidos exclusivos”, afirma.
Do outro lado do Estado, em Três Lagoas, a tradição também chega em forma de vitrine, embalagem e sabor. A confeitaria Deliciê Bolos e Doces, que participa do programa Cidade Empreendedora, executado pelo Sebrae/MS, adapta a loja e o cardápio para o clima julino. Bandeirolas, embalagens temáticas e doces decorados ajudam a montar o cenário. No cardápio, aparecem bolos caseiros, sobremesas, brigadeiros gourmet e outras receitas inspiradas na época.

Para Haysla Souza, que toca a confeitaria ao lado de Aline Souza, o período é uma chance de inovar sem perder a ligação com a memória afetiva do público. “Acreditamos que o arraial é a época da comida boa e isso nos dá oportunidade de inovar, criar experiências diferenciadas e nos adaptarmos às tradições e emoções que fazem parte da vida das pessoas. Por isso, já estamos preparando eventos para as festanças de junho e julho”, explica.
A lógica é simples, mas funciona: quando o cliente entra no clima da festa, ele também procura produtos que conversem com esse momento. E é aí que entram criatividade, planejamento e leitura do comportamento do consumidor. No caso da Deliciê, que é um negócio familiar de mãe e filha, a organização antecipada ajuda a atender bem tanto na loja física quanto no on-line.
Esse movimento também ajuda a mostrar o peso da chamada economia criativa. De acordo com o levantamento Mapeamento da Indústria Criativa, da Firjan, o setor representou 1,3% do Produto Interno Bruto de Mato Grosso do Sul em 2023. É um número que ajuda a entender como cultura, identidade e trabalho podem caminhar juntos.
Fonte: https://acritica.net/
