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Netanyahu fica sem maioria nas eleições em Israel e terá de negociar para formar governo

Por Notícias Digital MS • Publicado em 30/10/2026 às 06:08
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Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não alcançou a maioria necessária para formar governo após sua coalizão conquistar 53 cadeiras nas eleições parlamentares de Israel – (Foto: Reprodução/Governo Israelense)

Coalizão do primeiro-ministro conquistou 53 das 120 cadeiras do Parlamento, enquanto oposição ficou com 48; partidos árabes podem influenciar negociações

Sem alcançar as 61 cadeiras necessárias para formar um governo, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, terá de negociar novas alianças políticas. A contagem dos votos, concluída nesta quinta-feira (29), confirmou 53 assentos para sua coalizão de direita no Parlamento israelense. Já o principal bloco de oposição, liderado por Gadi Eisenkot, conquistou 48 vagas, resultado que deixa indefinido o comando do próximo governo.

O partido Likud, de Netanyahu, e seus aliados perderam espaço em relação às eleições de 2022, quando conquistaram 64 cadeiras. Apesar da redução, a coalizão governista manteve vantagem sobre a principal aliança adversária. Nenhum dos dois grupos, porém, conseguiu assegurar a maioria absoluta das 120 vagas do Knesset, o Parlamento israelense.

Ao mesmo tempo, os partidos árabes Raam e Lista Unificada conquistaram 19 cadeiras, o maior número já registrado por essas legendas. Com isso, seus representantes poderão ter participação importante nas negociações para a formação do próximo governo.

A Comissão Central de Eleições informou que os resultados ainda podem passar por pequenos ajustes. A previsão é encaminhar a contagem oficial ao presidente Isaac Herzog em 4 de novembro. Além disso, os partidos terão até 18 de novembro para apresentar reclamações ou contestações jurídicas.

Partidos árabes podem influenciar formação do governo

O desempenho dos partidos árabes coloca a oposição diante de uma decisão política. Para alcançar a maioria necessária, o grupo liderado por Eisenkot poderá buscar apoio dessas legendas ou negociar uma composição com outros integrantes do Parlamento.

Entretanto, essa possibilidade enfrenta resistência entre partidos judaicos, inclusive dentro da própria oposição. Durante a campanha, Eisenkot evitou assumir um compromisso de aliança com as legendas árabes e afirmou que nenhuma delas atendia às condições exigidas para uma parceria.

Outra alternativa seria a formação de um governo de unidade nacional, reunindo integrantes dos blocos de Netanyahu e Eisenkot. Além disso, os líderes poderão tentar atrair parlamentares de outras alianças para alcançar os votos necessários.

Segundo Assaf Shapira, pesquisador do Instituto de Democracia de Israel, Herzog poderá conceder a Eisenkot a primeira oportunidade de formar um governo. A avaliação considera o sistema político israelense, no qual o presidente consulta os partidos antes de indicar um candidato.

Presidente decidirá quem tentará formar governo

Com o encerramento da apuração, a próxima etapa dependerá das consultas conduzidas pelo presidente Isaac Herzog. Ele deverá ouvir os representantes partidários e escolher quem considera mais capaz de reunir apoio suficiente no Parlamento.

Após receber a indicação, o escolhido terá 28 dias para negociar uma coalizão com maioria parlamentar. Caso necessário, poderá solicitar uma prorrogação de 14 dias para concluir as negociações.

Se o primeiro indicado não conseguir formar um governo, Herzog poderá oferecer a tarefa a outros dois nomes. Entretanto, se todas as tentativas fracassarem, Israel terá de convocar novas eleições.

Na quarta-feira (28), o presidente israelense afirmou que o país deve fazer todos os esforços para evitar outra votação. Segundo o Instituto de Democracia de Israel, a formação de governos costuma levar entre 20 e 100 dias.

Eleição ocorreu após guerra em Gaza

A votação foi a primeira desde os ataques liderados pelo Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra em Gaza. O comparecimento às urnas também atingiu o maior nível desde 1999, em uma disputa marcada por críticas à atuação de Netanyahu.

Durante a campanha, Eisenkot acusou o primeiro-ministro de conduzir o país ao autoritarismo e prejudicar sua imagem internacional. Já Netanyahu concentrou parte de sua estratégia eleitoral em questões de segurança e no receio de seus apoiadores quanto à participação de partidos árabes no poder.

Apesar da insatisfação de parte do eleitorado, a oposição não conseguiu conquistar uma maioria capaz de afastar imediatamente Netanyahu. Por isso, o resultado mantém aberta a possibilidade de continuidade do primeiro-ministro no cargo.

Enquanto não houver acordo para a formação de uma nova coalizão, Netanyahu poderá permanecer à frente do governo de forma interina. O impasse também traz a possibilidade de Israel enfrentar outro período de instabilidade política, semelhante ao registrado entre 2019 e 2022, quando o país realizou cinco eleições.

Felipe Kahlil – fonte: https://acritica.net/

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