Teste aponta falhas do Facebook contra desinformação eleitoral
Teste da Anistia Internacional apontou que oito anúncios com desinformação eleitoral foram aceitos pelo Facebook. (Foto: Breno Kaoru Tanaka/A Crítica)
Anistia Internacional submeteu 14 anúncios com informações falsas sobre as eleições; oito foram aceitos pela plataforma
Um teste realizado pela Anistia Internacional Brasil apontou falhas na identificação de anúncios com desinformação eleitoral pelo Facebook, a 40 dias do primeiro turno das eleições de 2026. Dos 14 conteúdos com informações falsas submetidos à plataforma, oito foram aceitos para publicação, embora nenhum tenha efetivamente chegado aos usuários.
Ao todo, a organização preparou 15 anúncios em português, direcionados a brasileiros com idade para votar. Apenas um era neutro, enquanto os outros 14 apresentavam conteúdos relacionados à deslegitimação das eleições, ataques a adversários e instituições ou defesa de soluções autoritárias.
Segundo a Anistia, sete anúncios continham alegações enganosas sobre candidatos e instituições eleitorais, enquanto outros sete apresentavam informações falsas capazes de interferir na votação, como dados incorretos sobre quando ou como votar.
Todos foram programados para uma data futura e cancelados antes da veiculação, evitando que o conteúdo fosse disponibilizado ao público.
Oito anúncios passaram pelo sistema
O Facebook aprovou oito conteúdos com desinformação. Outros sete, entre eles o anúncio neutro, foram barrados porque a conta utilizada no teste não havia concluído a verificação de identidade exigida para publicidade relacionada a política e eleições, e não especificamente pelo teor falso das mensagens.
Para a diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, o resultado levanta dúvidas sobre a capacidade de moderação da plataforma.
“O fato de o sistema de moderação da Meta não ter detectado mais da metade dos anúncios de desinformação eleitoral é profundamente alarmante”, afirmou.
Os anúncios foram enviados a partir de Londres, sem utilização de VPN para ocultar a localização, outro ponto citado pela organização como motivo de preocupação com a possibilidade de interferência externa no debate eleitoral.
Meta contesta alcance do teste
Procurada pela Agência Brasil, a Meta afirmou que o levantamento utiliza uma amostra pequena de anúncios e destacou que nenhum deles foi efetivamente publicado ou visualizado por usuários.
A empresa declarou ainda que seu processo de análise possui diferentes etapas de detecção antes e depois da publicação e afirmou investir recursos para proteger as eleições brasileiras de 2026.
As regras eleitorais determinam que plataformas que permitem conteúdo político devem adotar medidas para reduzir a circulação de informações notoriamente falsas ou gravemente descontextualizadas. A regulamentação também estabelece a retirada, sem necessidade de ordem judicial, de conteúdos falsos que ataquem a integridade do sistema eletrônico de votação.
Breno Kaoru Tanaka – fonte: https://acritica.net/

