Home office integral cai para 3% das vagas e empresas ampliam trabalho presencial
Trabalho totalmente remoto representa apenas 3% das vagas oferecidas por empresas atendidas pela Robert Half. (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)
Pesquisa mostra avanço dos modelos híbrido e presencial, mas flexibilidade ainda pesa na atração e retenção de profissionais
O trabalho totalmente remoto perdeu espaço nas empresas brasileiras e já representa apenas 3% das vagas oferecidas pelos clientes da consultoria Robert Half. Um levantamento da empresa mostra que a maior parte das organizações passou a adotar o modelo híbrido ou exige presença integral no escritório.
A frequência varia conforme o setor e o tipo de atividade, mas fica entre três e cinco dias presenciais por semana. Construção civil e engenharia aparecem entre as áreas com menor flexibilidade, com média de 4,8 dias no escritório para equipes corporativas. No setor de serviços, a média cai para 3,3 dias.
Para Vitor Silva, diretor de mercado da Robert Half, o retorno aos escritórios ainda não chegou a um ponto de estabilidade, mas não há sinais de uma retomada ampla do modelo integralmente remoto.
“O remoto full hoje é uma exceção da exceção”, afirmou.
Segundo o executivo, o trabalho realizado exclusivamente de casa tende a permanecer concentrado em empresas que já foram criadas com operação remota ou que não possuem escritório na região onde o profissional atua.
“Não vemos nenhum movimento que indique uma reversão desse cenário”, acrescentou.
Presencialidade muda conforme a atividade
A necessidade de comparecimento ao local de trabalho é maior em setores ligados à produção, infraestrutura e atividades de campo. Construção, mineração, energia, logística e indústria aparecem entre as áreas que exigem maior presença física.
Na indústria, por exemplo, as equipes corporativas comparecem ao escritório, em média, 3,3 dias por semana. Nas áreas operacionais, o número sobe para 4,9 dias.
A diferença também aparece na logística. As equipes administrativas trabalham presencialmente por cerca de 3,6 dias semanais, enquanto os profissionais das operações chegam a 4,6 dias.
Empresas de serviços conseguem oferecer mais flexibilidade porque parte de suas funções possui maior previsibilidade e menor dependência de estruturas físicas.
O levantamento aponta que o nível de interação entre as equipes e a previsibilidade da operação são fatores importantes para definir o formato adotado. Atividades que exigem colaboração constante ou resposta rápida tendem a concentrar mais profissionais no mesmo espaço.
Flexibilidade continua valorizada
Apesar da redução das vagas totalmente remotas, a possibilidade de trabalhar alguns dias de casa continua sendo um fator relevante para os profissionais.
Dados da Robert Half mostram que 52% dos trabalhadores considerariam mudar de emprego caso a empresa reduzisse a flexibilidade. Entre os gestores, 54% reconhecem que o modelo de trabalho influencia a atração e a permanência de talentos.
Segundo Silva, essa expectativa não está limitada aos trabalhadores mais jovens.
“Existe a percepção de que apenas a geração Z prioriza flexibilidade, mas nossos estudos mostram que essa expectativa também aparece entre profissionais mais experientes. Não é uma questão geracional, é uma expectativa que se espalhou pelo mercado”, disse.
Empresas buscam equilíbrio
A pesquisa indica que não existe um modelo único para todas as organizações. Empresas com operações diferentes precisam avaliar produtividade, comunicação, velocidade de resposta e necessidade de interação presencial antes de definir quantos dias os funcionários devem comparecer ao escritório.
Para a consultoria, modelos muito flexíveis podem comprometer algumas operações. Por outro lado, exigir presença diária sem uma justificativa clara pode dificultar a contratação e aumentar a saída de profissionais.
“Não adianta ter um modelo superflexível que não conversa com a realidade da operação. Mas também não adianta exigir quatro ou cinco dias presenciais sem conseguir explicar o porquê”, avaliou Silva.
O levantamento mostra que o home office integral deixou de ser a regra vista durante a pandemia. O modelo híbrido, porém, permanece como uma alternativa usada pelas empresas para conciliar as necessidades da operação com a demanda dos trabalhadores por mais flexibilidade.
Pietro Bitencourt – fonte: https://acritica.net/
