João Henrique Catan deixa o PL, se filia ao Novo e lança pré-candidatura ao governo de MS

Deputado estadual oficializou filiação ao Partido Novo em ato no Marco Zero de Campo Grande e marcou início do projeto político para as eleições de 2026

Sanny Duarte

Por: Noticias Digital – 09/03/2026 – fonte: https://acritica.net/

João Henrique Catan oficializa filiação ao Partido Novo e apresenta pré-candidatura ao governo de MS
Deputado estadual João Henrique Catan oficializa filiação ao Partido Novo em ato em Campo Grande. – (Foto: Divulgação)

O deputado estadual João Henrique Catan oficializou neste domingo (8) sua filiação ao Partido Novo, em ato no Marco Zero de Campo Grande, e foi apresentado como pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026. O evento, realizado em frente ao Monumento dos Desbravadores, teve fumaça laranja, balão com a cor da sigla e estrutura visual que remete a lançamento de campanha, mesmo ainda fora do período eleitoral.

No discurso, o parlamentar tentou associar o início da nova fase a lideranças internacionais de direita e projetou um cenário de polarização no Estado.

“Eu ouvi chamarem Bolsonaro de doido, Trump, Milley e vi eles começarem da mesma forma que nós estamos começando hoje. Digo, hoje está definido: terá segundo turno no Mato Grosso do Sul. É um bom caminho, um novo caminho”, afirmou, sem citar pesquisas ou dados que sustentem a previsão.

Símbolos no marco zero 

O local do ato foi explorado politicamente. Ao falar diante do Monumento dos Desbravadores, no ponto conhecido como marco zero da capital, Catan resgatou a figura de José Antônio Pereira, fundador de Campo Grande, para defender que um “novo projeto” para o Estado começa naquele ponto.

“Aqui, no marco zero, tem o símbolo da nossa Capital, o Monumento dos Desbravadores. Em 1872, quando chegou aqui, José Antônio Pereira estabeleceu neste lugar o primeiro núcleo de Campo Grande. E vocês acham que ele esperou e recebeu a casa pronta, a porta aberta, a janela? Não! Ele enfrentou e construiu Campo Grande; e nós, juntos, vamos construir um novo projeto para Mato Grosso do Sul, que começa a ser escrito agora”, disse.

Tênis gastos ao lado do mapa de Campo Grande sintetizam a “Tática 1”: 110 quilômetros a pé e 30 pontos de filiação para transformar a narrativa de “novo país” em presença constante nos bairros da capital.

Saída do PL

A filiação ao Novo ocorreu poucos dias após Catan anunciar, da tribuna da Assembleia Legislativa, sua saída do PL, partido pelo qual foi eleito. A ruptura se deu depois de movimentos internos da sigla em direção ao apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel, o que realinhou o PL ao grupo que comanda o Executivo estadual.

Ao justificar a desfiliação, Catan tenta afastar a ideia de mudança de campo político e sustentar que a alteração é apenas de legenda.

“Não estamos mudando de lado, estamos reafirmando o nosso lado. O lado das famílias. O lado de quem trabalha e sustenta este Estado. Traçando um novo caminho para quem acredita que Mato Grosso do Sul pode ser muito mais do que a velha política oferece”, declarou.

Na prática, porém, o deputado deixa um partido de grande porte, com forte ligação ao bolsonarismo nacional e espaço consolidado em Mato Grosso do Sul, para se abrigar em uma sigla menor, que ainda busca se firmar no Estado.

Sobre a mesa, maleta fechada e papel com o título “Agenda Legislativa” ilustram a “Tática 2”: enquanto critica a “política de gabinete”, o projeto continua operando por dentro do sistema, usando o mandato para dar lastro ao discurso de ruptura.

Discurso contra desperdício e uso de recursos públicos pelo partido

No ato no Marco Zero, Catan afirmou ter encontrado no Novo a “coerência de quem acredita no mérito, no trabalho honesto, na liberdade de empreender e no fim do desperdício com os recursos do povo”.

A declaração se soma ao histórico de votações e discursos do deputado na Assembleia contra aumento de impostos e em defesa do contribuinte. Mas entra em um contexto em que o próprio Novo mudou sua prática em relação ao financiamento de campanhas.

Fundado com a promessa de não usar recursos públicos eleitorais, o partido aprovou, a partir de 2024, o uso do fundo eleitoral e do fundo partidário em disputas municipais e futuras eleições gerais, com critérios internos para distribuição. A legenda justifica a mudança dizendo que, enquanto o modelo de financiamento público for a regra no país, a recusa aos recursos não impede que o dinheiro seja aplicado por outras siglas.

Se a candidatura de Catan for confirmada e priorizada pela direção nacional, a tendência é que sua campanha ao governo seja bancada com uma combinação de verba pública e doações privadas, como ocorre nas demais legendas. Esse ponto deve entrar na agenda de questionamentos durante a disputa, já que o próprio deputado constrói parte de sua imagem em torno do combate ao “desperdício do dinheiro do povo”.