Sem desconto de Imposto de Renda? Saiba como checar seu holerite em 2026
É fundamental que o trabalhador saiba interpretar corretamente o holerite e se assegure de que nenhum desconto indevido foi realizado
Jennifer Ribeiro
Por: Noticias Digital – 18/02/2026 – fonte: https://midiamax.com.br/
Consulta à restituição do Imposto de Renda. (Foto: Nathalia Alcântara, Jornal Midiamax)
Holerite, contracheque ou demonstrativo de pagamento: a nomenclatura tanto faz. As três opções referem-se ao documento que comprova o pagamento do salário da pessoa empregada e detalha todos os valores recebidos e descontados no período trabalhado.
Nem todas as empresas entregam o holerite ao fim do mês, apenas quando solicitado. Da mesma forma, nem todos os trabalhadores costumam observar com atenção o que está descrito no documento quando o recebem. Porém, ler o holerite é muito importante! É uma maneira de se certificar de que todos os acordos e direitos estão sendo respeitados.
Em 2026, há uma novidade para os trabalhadores que recebem até R$ 5 mil: não haverá desconto de Imposto de Renda. Este ‘alívio’ no bolso dos brasileiros será percebido, pela primeira vez, no pagamento referente a janeiro de 2026, ou seja, agora em fevereiro.
Por esse e outros motivos, é fundamental que o trabalhador saiba interpretar corretamente o documento e se assegure de que nenhum desconto indevido foi realizado.
O holerite te causa confusão? Para ajudar você a entendê-lo, o Midiamax conversou com o advogado trabalhista André Theodoro.
Quais informações o holerite registra?
Segundo André, o holerite serve como prova de pagamento do salário e dos direitos trabalhistas. O documento é fundamental para que o trabalhador possa verificar se está recebendo corretamente, e ainda pode ser utilizado como documento em financiamentos, processos judiciais e comprovação de renda.
Isso porque ele registra informações importantes, como o salário-base, as horas extras, os adicionais (noturno, insalubridade, periculosidade), as comissões, gratificações, além de todos os descontos aplicados.
Constam, ainda, dados como o nome da empresa e do empregado, o cargo, período de referência e o valor final pago.
Entre os principais descontos, estão: o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o Imposto de Renda, vale-transporte, plano de saúde (se contratado), pensão alimentícia (quando houver determinação judicial), faltas injustificadas e contribuições sindicais (quando aplicáveis).
“Todos os descontos devem estar claramente identificados e discriminados”, alerta o advogado trabalhista.
O documento traz também o salário líquido e bruto do trabalhador. A diferença entre esse descritivo é simples: o salário bruto é o valor total acordado entre empregado e empregador, antes dos descontos. Já o salário líquido é o valor que o trabalhador efetivamente recebe após os descontos obrigatórios e autorizados por lei, como INSS, Imposto de Renda e benefícios.
Porcentagens descontadas
A atenção do trabalhador deve se voltar aos descontos aplicados. No caso do vale-transporte, a empresa pode descontar até 6% do salário-base.
Já o INSS é descontado de forma progressiva, variando entre 8% e 14%, dependendo da faixa salarial, conforme a tabela atual da Previdência Social.
O Imposto de Renda, que vem reformulado em 2026, também segue uma tabela progressiva, podendo chegar a até 27,5%. Tudo dependerá do valor salarial.
“Ler o holerite é essencial para verificar se o salário está correto, se as horas extras foram pagas, se não há descontos indevidos e se todos os direitos estão sendo respeitados. Muitos trabalhadores descobrem irregularidades justamente por meio da análise do contracheque”, pontua André.
Mudanças no IR
Trabalhadores com rendimento mensal de até dois salários mínimos (R$ 3.036) já estavam isentos do Imposto de Renda, mas agora a faixa de isenção foi ampliada para aqueles que recebem até R$ 5 mil. Esse público não terá mais que pagar Imposto de Renda neste ano. Assim, mais 162.987 trabalhadores sul-mato-grossenses serão isentos.
Além disso, haverá desconto progressivo do imposto para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7,35 mil mensais. Ou seja, 82.010 pessoas do Estado pagarão menos ao leão a partir de fevereiro. Quem recebe até R$ 5.500 terá desconto de 75% na alíquota. Até R$ 6 mil, o desconto é de 50%; e até R$ 6.500, de 25%. Para quem ganha mais que R$ 7.350 mensais, a cobrança do IR segue sem mudanças.
Assim, se você tinha o IR descontado, mas agora se encaixa no grupo de trabalhadores isentos, a recomendação é conferir se de fato o desconto não foi aplicado.
“O desconto do Imposto de Renda aparece no holerite com a descrição ‘IRRF’ ou ‘Imposto de Renda Retido na Fonte’. Se não houver esse campo, significa que não houve desconto naquele mês. É importante verificar o valor e acompanhar se está compatível com o salário, pois descontos indevidos podem ser questionados”, afirma o advogado.
E se a empresa não entregar o holerite?
Ter acesso ao próprio holerite é um direito do trabalhador e fornecer o documento é uma obrigação da empresa.
Assim, caso o empregador se recuse a entregar, o empregado pode solicitar formalmente, inclusive por escrito.
“Persistindo a negativa, é possível buscar orientação jurídica e até acionar a Justiça do Trabalho, pois a ausência desse documento pode configurar irregularidade trabalhista”, conclui.