Com ar-condicionado, horta e até colmeia, escola pública vira modelo na Capital


No Bairro Oiti, escola municipal também criou o “faltômetro” para garantir a frequência dos 756 alunos

Por Cassia Modena

Por: Noticias Digital – 09/09/2025 – fonte: https://www.campograndenews.com.br/

Alunos estudam em sala de aula com ar-condicionado na Escola Municipal Celina Jallad (Foto: Henrique Kawaminami)


Sempre querer mais é a receita para oferecer o melhor possível em uma escola pública. A visão é de Andressa Elvira Matias Coelho, diretora da Escola Municipal Celina Jallad, uma das instituições que carrega o título de modelo da rede municipal de Campo Grande. São 756 alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, e até “faltômetro” foi criado para acompanhar de perto a frequência dos alunos.

Ar-condicionado em 100% das salas de aula é um dos pontos positivos, o que faz bastante sentido em uma cidade que beira os 40°C nos meses mais quentes. A climatização ainda não é realidade em todas as escolas, mas virou na Celina Jallad com o apoio dos pais e graças às vendas nas festas, explica Andressa.

“A gente colocou na primeira sala com recurso próprio da APM (Associação de Pais e Mestres), que sempre foi muito participativa. Usamos o saldo das festas juninas e começamos a instalar em outras salas, mas a rede elétrica não suportou. Toda hora, caía. Completamos toda a instalação e resolvemos o problema da queda de energia usando um recurso para reformas que a Semed (Secretaria Municipal de Educação) enviou”, conta a diretora.

Andressa Coelho, que é diretora da escola desde 2023 (Foto: Henrique Kawaminami)


Os alunos saem do ambiente fresquinho só quando estão no intervalo, nas aulas de Educação Física ou quando são propostas atividades de ensino ao ar livre — o que é outro diferencial da escola. Por si só, a estrutura física não oferece tantas opções externas, mas elas começaram a ser criadas pelos professores.

Exemplo é o contato com a terra que as crianças têm nos jardins que ficam em frente às salas de aula e nos fundos da escola. São ensinados o plantio e cuidado de plantas aromáticas e frutíferas.

Outro exemplo é a criação de abelhas jataí que envolve os estudantes nas aulas de Ciências. A espécie não tem ferrão. Colmeias adaptadas com caixa de leite e casca de tronco de árvore estão sendo espalhadas por lá, aos poucos.

Criação de abelhas em colmeia improvisada faz parte do ensino de Ciências (Foto: Henrique Kawaminami)


Para além das atividades na lousa, a Celina Jallad oferece ainda aulas de violão, judô e pintura. Possui espaço para atender, no contraturno, crianças com deficiência e transtornos de aprendizagem e também funciona como centro de atendimento psicológico para todos os alunos da rede municipal que moram na mesma região onde está localizada, o bairro Oiti.

Notas e faltas – E o reflexo vem nas notas. Segundo do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2023, o colégio ficou acima da média nacional.  Enquanto no Brasil o índice foi de 6, na Celina Jallad os alunos atingiram 6,11 na escala de 0 a 10. Em comparação com as médias estadual, de 5,20, e municipal, de 5,30, a diferença é ainda maior.

Já no quesito proficiência em uma escala que vai de 0 a 500 pontos, em Matemática a escola atingiu 224,1 e em Língua Portuguesa 211,29, contra média nacional de 218,26 e 207,59 respectivamente em 2023.

Pedagoga, psicóloga e mestre em ensino de Ciências e Matemática, com experiência na direção de uma escola particular, a diretora conta que motiva a equipe da Celina Jallad a correr atrás de resultados melhores no ensino usando as notas dos simulados aplicados pela Semed como diagnóstico e incentivando formações extras para os professores.

“Quando vimos que os alunos não foram bem em matemática no último simulado, por exemplo, eu chamei meu orientador de mestrado e ele fez um acompanhamento voluntário por uma semana para identificarmos o que podemos ajustar no ensino de exatas. Foi enriquecedor”, conta. Ela lembra que a Secretaria já oferece formações aos professores, e que a iniciativa funcionou como um incremento.

“Faltômetro” marca número de faltas de alunos e premia turmas menos com os mais frequentes (Foto: Henrique Kawaminami)


A escola também criou o “faltômetro” para resolver o problema de frequência que estava enfrentando. “Acompanhamos a quantidade de faltas por turma, e aquela com menor número de faltas ganha o intervalo estendido de 30 minutos no pátio ou outros prêmios. As turmas que não atingem um índice satisfatório de frequência também são premiadas com pipoca, por exemplo. É uma forma de incentivar”, detalha Andressa.

Outro ponto que contribui para os bons resultados alcançados até aqui, de acordo com a direção, é que 90% dos professores são servidores efetivos. “Assim, a gente consegue dar continuidade ao trabalho que já está sendo feito”, pontua a diretora.

Intervenções – A escola foi inaugurada em 2012 e ampliada e reformada no ano passado. Ganhou quatro salas para atender à demanda crescente no bairro e nos vizinhos, como Samambaia, Panorama, Maria Aparecida Pedrossian, Vivendas do Park e Noroeste. Um parquinho novo também foi instalado.

Sala para atender alunos com transtorno de aprendizagem (Foto: Henrique Kawaminami)


Após as obras, uma antiga sala de aula virou uma biblioteca, compartilhada com o espaço onde a APM vende sorvete para angariar recursos. Os materiais pedagógicos também ficam guardados ali. É um lugar pequeno, mas a direção pretende ampliá-lo.

Outras intervenções feitas anteriormente foram a instalação de 16 câmeras de segurança, a reforma de uma pequena sala que não comportava todos os professores e a adaptação de outra para descanso e alimentação dos servidores administrativos.

Quadra é um sonho – A escola ainda não tem quadra poliesportiva. É um sonho que a diretora compartilha com pais, alunos e professores.

Área onde deverá ser construída a quadra que a escola ainda não tem (Foto: Henrique Kawaminami)


A Semed estuda a construção em uma área hoje utilizada como estacionamento para os funcionários, localizada em frente às placas que geram energia solar. Enquanto isso, o pátio é utilizado para as aulas de Educação Física.

A escola também se adaptou a isso. Um professor que entende de marcenaria fez traves de madeira para futebol e empilhou pneus coloridos que servem de cesta para os jogos de basquete. Material esportivo profissional tem, falta só a obra. “Mas esse ano sai e a APM está se mobilizando muito, porque é necessária”, finaliza a diretora….