Comando do PSDB ficará com bancada federal após saída de Reinaldo e Riedel


Os deputados Dagoberto Nogueira, Geraldo Resende e Beto Pereira apostam em federação com MDB e Republicanos

Por Vasconcelo Quadros

Por: Noticias Digital – 06/08/2025 – fonte: https://www.campograndenews.com.br/

Beto Pereira, Dagoberto e Geraldo são tucanos na bancada federal (Foto: Reprodução)


Ao anunciar que vai mesmo para o PL, honrando compromisso com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto, o ex-governador Reinaldo Azambuja deslocou a principal peça do xadrez político do Mato Grosso do Sul para tentar garantir a reeleição, sem sobressaltos, de seu afilhado político, o governador Eduardo Riedel.

Mas diante de um cenário de incertezas, pode também ter jogado o partido no colo dos três deputados federais do PSDB, que se articulam para tomar uma decisão unificada que resultaria no controle do que restar do espólio tucano estadual.

Deputado federal Geraldo Resende (PSDB) (Foto: Divulgação)

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Os três deputados, Dagoberto Nogueira, Geraldo Resende e Beto Pereira afirmaram, em entrevista ao Campo Grande News, que devem permanecer no grupo liderado por Azambuja até as eleições do ano que vem e que estão fechados com a reeleição de Riedel. Mas descartam seguir com o ex-governador para o PL. “É uma decisão do ex-governador Reinaldo Azambuja. Ele já nos avisou que tomaria esse caminho. Mas nós não temos nada a ver com o PL. Estamos em campos antagônicos na visão política”, disse Geraldo Resende.

Dagoberto Nogueira também rechaça uma alternativa pelos extremos e aposta na formação de uma federação entre PSDB, MDB e Republicanos como o caminho mais viável para a bancada. “O PSDB tem interesse nessa aliança com MDB e Republicanos. Nós estamos conversando. Se fechar a federação, fico no PSDB porque, junto com os outros dois partidos, que são grandes, teremos tempo de televisão e um bom fundo partidário. Se der certo nós três ficamos no PSDB”.

Deputado federal Dagoberto Nogueira (PSDB) (Foto: Divulgação)


A estratégia de Azambuja ao anunciar que se filiará ao PL tem como foco a manutenção a coalizão regional que sustenta o governo Riedel e o isolamento do extremismo de direita, que é forte em Mato Grosso do Sul. Assumindo o PL, com carta branca dos principais caciques do partido, mesmo com Bolsonaro recolhido em prisão domiciliar, Azambuja se encarregaria de enquadrar resistências, como o deputado Marcos Pollon, e evitar que o ex-presidente possa a declarar apoio a um outsider que ameace a reeleição de Riedel.

Em 2022, na carona de Bolsonaro, que declarou seu apoio num debate pela TV, o ex-deputado Capitão Contar foi para o segundo turno e por pouco não venceu Riedel, risco que o articulador Reinaldo Azambuja não quer correr no ano que vem. Correligionários tentaram convencer o ex-governador a adiar por mais dois meses a decisão, mas o peso regional do bolsonarismo no Estado o convenceram a tomar logo a decisão. Bolsonaro e Costa Neto também pressionaram pela decisão.

Deputado federal Beto Pereira (PSDB) (Foto: Divulgação)


O deputado Beto Pereira diz que a opção de Reinaldo Azambuja foi amplamente discutida entre os partidos ligados ao grupo e é importante para o projeto de reeleição de Riedel, com o que ele também está fechado. Mas não tem pressa anuncair formalmente uma posição porque nem há agora janela partidária que force deputados a tomar decisões. “Vou esperar até março ou abril do ano que vem. Tem muita coisa por acontecer até lá”. Ele diz que os três devem tomar uma decisão conjunta.

Mato Grosso do Sul é o último reduto tucano com a presença de um governador na cúpula do partido. Assim que a decisão de Azambuja for formalizada, será a vez de Riedel anunciar para onde vai. A menos que haja mudança brusca, o governador deve engrossar o PP, ao lado da senadora Tereza Cristina e do deputado Dr. Luiz Ovando. Há dúvidas sobre o destino que tomarão os 247 vereadores e os 44 prefeitos do PSDB, a maioria dos quais se dividirá entre Reinaldo Azambuja e Riedel.

Os deputados federais tucanos também vão querer um naco da estrutura regional caso permaneçam o partido, mas trabalham para repetir a coalizão em 2026, inclusive com a expectativa de que o PT, que faz parte do governo, não lance candidato ao governo e mantenha o apoio a Riedel. Quanto ao comando do partido, caso se confirmem mesmo as saídas de Reinaldo e Riedel, deve ficar nas mãos de um dos três deputados federais….